Recessão à vista?

Em meio à pandemia do Coronavírus (Covid-19), uma economia que já demonstrava estagnação e andava de lado, agora dá sinais fortes de uma possível recessão. Com países paralisando suas atividades para conter o alastramento do vírus, visualiza-se um cenário de economia fraca e decadente. No cenário doméstico, nas análises dos economistas e grandes instituições financeiras, cresce cada vez mais a probabilidade de um PIB próximo de zero, e até negativo.


Nesse panorama caótico, com milhares de pessoas adoecendo e sofrendo pela contaminação do vírus, e economias amargando, resta agora aos governos e bancos centrais atuarem fortemente e coordenadamente para conter os efeitos do vírus e evitar mais frustrações a toda sociedade, pois é claro que os efeitos de uma possível recessão afetam diretamente a todos de uma forma ou de outra, cedo ou tarde.


Visando melhorar as perspectivas e atenuar os efeitos, nos últimos meses mais de 30 bancos centrais cortaram suas taxas básicas de juros, na tentativa de amenizar os efeitos dessa pandemia, liderando toda a fila de cortes, temos como um dos principais agentes o Federal Reserve (FED), que de forma emergencial no dia 15/03/2020 cortou sua taxa de juros entre 0,00% e 0,25%, anunciando ainda mais de US$ 1,5 trilhões para conter os impactos da onda viral.


Reforçando o pacote econômico, o FED lançou um programa com 700 US$ bilhões (Quantitative Easing), em resposta ao coronavírus, deste montante, US$ 500 bilhões serão usados na compra de títulos do Tesouro e US$ 200 bilhões em hipotecas. Reforçando ainda o pacote o FED reduziu a 0 a taxa de depósitos compulsórios dos bancos e reforçou que a postura adotada, permanecerá em uso até que haja a certeza de que a economia americana resistiu aos eventos.


Há ainda nos EUA um projeto de lei que prevê apoio econômico devido ao coronavírus que está sendo finalizado pelo Congresso norte-americano incluirá um pagamento único de 3 mil dólares a famílias e permitirá que o Federal Reserve levante até 4 trilhões de dólares em liquidez para fomentar a economia do país, disse o secretário do Tesouro dos EUASteven Mnuchin.


No Brasil, em consonância com os movimentos dos outros bancos centrais, o Copom cortou mais 0,50 p.p da taxa básica de juros (SELIC), desta forma agora a taxa Selic atingiu o patamar dos 3,75% a.a, valor este o menor desde o início da série histórica, em 1986. Vale ainda ressaltar que, aparentemente, o Banco Central, guardou parte de sua munição e agiu com cautela, podendo de certa forma efetuar novos cortes que se fizerem necessários a fim de gerar mais incentivos e fôlegos aos mercados, considero o corte comedido, na ótica de que o recuo nos juros acompanha uma expectativa negativa da economia.


Com o corte de 0,50 p.p, o Banco Central do Brasil, possibilita o espaço para mais cortes caso não haja efeitos suficientes na economia nos patamares atuais, diminuir ainda mais os depósitos compulsórios, e também utilizar-se das reservas pontualmente, antes de ser necessário realizar a ferramenta do Quantitative Easing que é a emissão de moeda.

Na atuação do governo Brasileiro, não é possível ainda dizer se serão suficientes os R$ 147 bilhões anunciados para lidar com os estragos do coronavírus, pois as medidas apenas anteciparam gastos do governo, e dilataram prazos para arrecadação de tributos.

Objetivando frear os efeitos, o pacote do Governo Federal prevê R$ 59,4 bilhões para manutenção do emprego no país:


·        Diferimento do prazo de pagamento do FGTS por 3 meses (R$ 30 bilhões);

·        Diferimento da parte da União no Simples Nacional por 3 meses (R$ 22,2 bilhões);

·        Crédito para MPEs (R$ 5 bilhões);

·        Redução de 50% nas contribuições do Sistema S para pensionistas ligados ao INSS;

·        Aqui é importante também ressaltar que foram facilitadas as exigências para contratação de crédito e renegociação de dívidas.


Ainda adiante, dentro do pacote, está previsto também recursos que visam atender a população mais vulnerável:


·        Antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas ligados ao INSS para abril e maio (R$ 23,8 bilhões);

·        PIS/PASEP liberados (R$ 21,5 bilhões);

·        Antecipação do abono salarial para junho (R$ 12,8 bilhões);

·        Inclusão de 1 milhão de famílias na Bolsa Família (R$3,1 bilhões);

·        Foi também anunciado a redução do teto de juros do crédito consignado e margem de pagamento.


Para combate à pandemia, foi realizado o repasse do saldo do DPVAT para o SUS, no montante de R$ 4,5 bilhões.


Ainda no Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou neste domingo, em videoconferência com a participação do presidente Jair Bolsonaro, um pacote de medidas totalizando 55 bilhões de reais para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus, com foco na preservação de empregos.


Infelizmente, por mais que essas medidas sejam bem sucedidas, uma recessão é inevitável, é esperada uma queda do PIB nos dois primeiros trimestres, com alguma recuperação a partir de agosto. Em um cenário otimista, o crescimento do PIB pode ficar perto de zero. É uma dura realidade para um país como o Brasil, que luta há anos para voltar a crescer.


Somado ainda as incertezas dos efeitos trazidos pelo Covid-19, há ainda o cenário de atritos entre Arábia Saudita e Rússia que após anunciarem produções em níveis máximos, fizeram com que o preço do petróleo batesse valores mínimos, criando efeitos que prejudicam ainda mais o desenvolvimento econômico de vários países do globo. Ainda no que tange ao cenário externo, está ainda no radar a preocupação com o humor do oriente médio quanto a todos esses efeitos.


Ainda diante disso, as bolsas mundiais seguem em fortes quedas sangrando os efeitos do coronavírus, aqui no Brasil não é diferente, nosso principal índice do mercado acionário, o Ibovespa, acumula queda superior a 42% e com perspectivas de novas quedas, podendo até atingir o patamar dos 50 mil pontos. Ainda sobre todas essas observações é importante ressaltar que antes de tudo, o mais importante é salvar vidas, e prezar pela saúde de todos, com a colaboração e cooperação com toda certeza a humanidade passará por este novo obstáculo e firmemente quando voltar voltará mais forte que nunca.

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