Juros nas alturas?

Com a disseminação do vírus por todo o globo, e com o combate por medidas sanitárias extremas em um chamado "lockdown", há um aprofundamento na deterioração do cenário econômico, os impactos econômicos advindos certamente superarão os da crise de 2008.


1.O cenário explica o fenômeno dos juros altos?


Em meio à um cenário extremamente desgastado, e altamente volátil, com o risco país explodindo para cima sem limites, vimos o Credit Default Swap (CDS), que é um termômetro para medir o risco-país de 5 anos do Brasil atingir o patamar de 410 pontos em março, sendo este o maior valor para o índice desde fevereiro de 2016 período que ficou marcado pelos atritos políticos ocasionados pela campanha de impeachment da presidente Dilma Roussef.¹

Com o pessimismo ditando as regras do jogo, a aversão ao risco tomou conta dos mercados globais, com tons de indecisão, e risco-país disparando pelo Covid-19 e seu combate pelo chamado "lockdown", foi possível logo observar os principais bancos do país subindo suas taxas de juros, e também encurtando os prazos de suas operações, devido à elevada incerteza, houve um encarecimento do crédito.²


2. O socorro da cavalaria!


Observando esse movimento de aceleração nos juros, em resposta à isso, o Banco Central do Brasil, atuou prontamente, e até mesmo antes de outros banqueiros centrais, para injetar mais liquidez ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), e dar folga aos caixas dos bancos.

Utilizando-se dos mecanismos e instrumentos de controle de estresse dos mercados, concessão de crédito e injeção de liquidez, o Bacen conseguiu prover a cifra de 1,2 trilhão aos Bancos, valor este mais que suficiente neste primeiro momento, para sanar e atender a demanda creditícia do país, a manutenção, solidez e liquidez do sistema.³


3. Magnitude da Crise


Ainda não se pode mensurar com toda certeza os efeitos negativos trazidos por esta crise pandêmica, no entanto, quedas bruscas nas produções de todos os países atingidos é certa, relativizando-se pelo tempo de combate da doença em um "lockdown", no Brasil por exemplo segundo o Ministro da Economia Paulo Guedes bem disse, existe a possibilidade do PIB brasileiro recuar até 4% caso a paralisia provocada pelo combate ao Covid-19 se estenda até o mês de julho.₄


No entanto, como todos bem sabemos, o isolamento total é a melhor forma de combate e contenção da doença, ainda não é possível mensurar seus efeitos em nosso país, mas com certeza não serão pequenos.


Durante a crise de 2008, o Bacen atuou injetando R$ 82 bilhões de liquidez no sistema, combatendo o Covid-19 os impactos estimados já são de aproximadamente R$ 135 bilhões de liquidez no sistema.₅


4. Precificação do Crédito


Mesmo com toda essa injeção de liquidez no sistema, o que muito se ouve falar de pessoas e empreendedores é que as instituições financeiras do país, mesmo assim mantém os juros altos. Diante disso, é importante analisarmos como é precificado o crédito para o tomador final, a fim de elucidar os caros leitores desse movimento de juros nas alturas que tanto se fala.

Pois bem, para precificar o crédito ao tomador final, as instituições financeiras possuem a importante tarefa de imputar aos recursos objetos de concessão de crédito:


Juros Bancário = Funding + Capital + Liquidez + Inadimplência


Componente de Funding: (Selic + Spreed da instituição);


Elemento de Liquidez: Normalmente neste os bancos analisam quanto esses recursos vão retirar de seu caixa, ou seja quanto sua disponibilidade de recursos será atingida, e desta forma entendemos que quanto maior a disparidade entre disponibilidade e tomadores o crédito será precificado com um valor maior;


Inadimplência e Capital: Para gerar efetivamente a liquidez corrente, entende-se que deve se manter o lucro positivo, ainda que timidamente, e também extremo controle na postulação de risco de inadimplência, daí então que vêm a maior parcela de contribuição na alta dos juros.


5. Da teoria à prática


Em cenários normais, o que se vê, é que os bancos com muitos recursos em caixa,e graus de inadimplência dentro de patamares razoáveis, geram a alta concentração de capitais, consequentemente resultando em queda nos juros para aumentar as carteiras creditícias e rentabilizar o capital.


Em cenários de estresse econômico, e crises como a que estamos vivenciando, a alta procura de crédito nos bancos, somada aos cenários de incertezas e pessimismo que pairam sobre as análises de crédito, e ainda o alto grau de possíveis inadimplências, acarreta aos bancos um efeito ao qual denomina-se aversão ao risco, e desta forma, com a liquidez de seus caixas diminuída, e o grau de inadimplência saltando para cima, o que se vê são juros vultosos, como resposta as perspectivas.


De forma simples, para o cliente menor o banco costumeiramente eleva a taxa de juros pelo risco de crédito ser maior, e para clientes robustos, mais estruturados financeira-economicamente há uma taxa de juros classificada como mais baixa, tendo em vista o risco de inadimplência e descumprimento de acordos ser menor. Nesse entendimento, é que se pauta a elevação nas taxas de juros.₆


Natan Miguel da Silva
Criador e fundador do website Legis Maxima
https://www.legismaxima.online/


Fontes:


¹ https://br.investing.com/rates-bonds/brazil-cds-5-years-usd-advanced-chart


² https://economia.uol.com.br/financas-pessoais/noticias/redacao/2020/03/27/clientes-de-bancos-sofrem-para-adiar-pagamento-de-emprestimos.htm


³ https://www.gov.br/pt-br/noticias/financas-impostos-e-gestao-publica/2020/03/banco-central-anuncia-conjunto-de-medidas-que-liberam-r-1-2-trilhao-para-a-economia


https://www.midiamax.com.br/brasil/2020/diante-de-pandemia-pib-brasileiro-pode-cair-ate-4-diz-ministro-da-economia


https://www.infomoney.com.br/economia/com-crise-banco-central-ja-anunciou-r-12-trilhao-em-recursos-para-bancos/


https://istoe.com.br/inadimplencia-do-consumidor-sobe-12-em-marco-diz-boa-vista/

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