Cooperativas de Crédito vs Bancos Privados - Box Banco Central

Como já bem dito e ensinado em um antigo jargão, "a união faz a força"!


O Banco Central do Brasil (Bacen), publicou recentemente um box, onde traz dados de como é o comportamento após a captura de clientes entre Bancos Privados e Cooperativas de Crédito, o relatório embora seja curto, e contendo apenas 5 páginas é recheado de dados importantíssimos.


Baseado em um estudo de Ornelas, Silva e Van Doornik (2020), o Bacen utilizou dados do Sistema de Informações de Crédito (SCR) em nível de empréstimo, entre janeiro de 2005 e dezembro de 2016. Foram "utilizados dados de novas concessões de crédito a pessoas jurídicas nas modalidades de capital de giro, desconto de recebíveis e financiamento de veículos concedidos por bancos comerciais privados e cooperativas de crédito."


No estudo o Banco Central buscou entender como era o comportamento adotado quando uma Instituição Financeira capturava um cliente de outra Instituição Financeira, e qual era a progressão dessa relação entre Instituição e cliente ao longo do tempo. Como de costume, sabido que normalmente quando um cliente recebe uma oferta de crédito com taxas menores e mais "baratas" que as convencionais do Banco ao qual este está vinculado, este normalmente migra para a outra Instituição, um dos pontos mais importantes que o relatório buscava entender era até quando essa relação de juros menores realmente compensava ao tomador/cliente que migrou de Instituição, e até quando os juros dos empréstimos cedidos pela nova Instituição ao qual ele passou a ser cliente seriam menores, e quando eles atingiriam o mesmo nível (break-even) do último empréstimo que ele tomou na Instituição Financeira da qual a pessoa era cliente anteriormente dentro do período compreendido no estudo.


Ao longo da análise dos dados compreendidos entre janeiro de 2005 e dezembro de 2016, o Banco Central do Brasil através do estudo concluiu que, os Bancos normalmente concedem um crédito com desconto de 0,49 ponto percentual (p.p.) mais baixos do que os da IF anterior ao qual o cliente se relacionava. Já no caso das Cooperativas de Crédito esse desconto de custo de crédito se mostra maior e mais vantajoso ao cliente, na proporção do que reporta o estudo " as cooperativas de crédito obtêm novos clientes com spreads 0,68 p.p. mais baixo".


No estudo, foi possível observar que as Cooperativas de Crédito ao longo da relação com seus clientes possuem comportamento parecidos com os dos Bancos Privados, uma vez que ao longo das concessões de crédito os spreeds têm um movimento de crescimento no custo ao tomador, no entanto, ainda que as Cooperativas de Crédito possuam o mesmo comportamento, pelas práticas creditícias de juros menores aos cooperados, a intensidade de crescimento dos juros é menor e mais acentuada, nesse sentido, foi possível concluir no estudo que as Cooperativas só atingem o break-even de juros igual ao da Instituição Financeira (IF) anterior da qual o cliente se retirou, no sexto empréstimo, já nos Bancos Privados, esse break-even é atingido já no terceiro empréstimo.


Fonte: Banco Central do Brasil


Além desses pontos, foi possível observar que as empresas que normalmente se relacionam com Cooperativas de Crédito possuem uma taxa de inadimplência e atraso depois de 6 meses, menor que a dos Bancos Privados, tal ponto é de relevante observação, pois demonstra que as Cooperativas de Crédito por possuírem um relacionamento mais próximo aos seus clientes/cooperados, conseguem criar métodos de concessão mais seguros e menos prejudiciais à qualidade da carteira de crédito da instituição. O fator Inadimplência é algo que implica em um juros maior pelos Bancos Privados, pois como a Inadimplência da carteira deles é maior, sucessivamente os juros serão maiores, observado que na precificação do crédito ao tomador, esse é um dos fatores relevantes na valoração dos juros (spreed) da operação em um primeiro momento, e em uma análise mais abrangente, da carteira de crédito da Instituição Financeira.


Fontes e Referências:
https://www.bcb.gov.br/content/publicacoes/Documents/reb/boxesreb2018/6_cap_6_box13.pdf
ORNELAS, José Renato, SILVA, Marcos Soares e VAN DOORNIK, Bernardus Ferdinandus. (2020). Informational Switching Costs, Bank Competition and the Cost of Finance. Série Trabalhos para Discussão do Banco Central do Brasil, n. 512.
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